Eu vou ficar
e me aninhar
comodamente no desconforto.
O frio há de me aquecer
a fome me alimentar.
De Solivan
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Poesia alheia: Neuzza Pinheiro
Gatos...
sempre mantém
aquela postura de pluma
e lá se vão
uma a uma
pé ante pé
pétala
sobre pétala
como se pedra
fosse espuma.
De Neuzza Pinheiro
sempre mantém
aquela postura de pluma
e lá se vão
uma a uma
pé ante pé
pétala
sobre pétala
como se pedra
fosse espuma.
De Neuzza Pinheiro
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O Pai cinza e o Filho colorido

(Para Vinícius)
O homem cinza
de sombra ou rocha
leva
o menino vitral
que tem sua mão presa ao pai
como flor enraizada na pedra
a outra brinca no ar como pássaro liberto.
O indicador livre
aponta seu raio solar
para alegria
quer brincar dentro das cores
ou tingir a língua
com um picolé carmim.
O sorriso do menino
e uma flor de dente-de-leão
o pai sopra o
sorriso
o menino apaga-se.
O braço paternal
como um pincel
em falanges espalmadas
mancha com um tapa
de raiva vermelha
a alegria amarela no seu rosto do menino.
Mas seu coraçãozinho palpita como uma estrela
e pulsa
estrelinhas em cordames natalinos pelas veias
as luzinhas coloridas
reacendem renitentes.
O pai continua pedra ou sombra cabisbaixa
um gosto de culpa
incrusta
como pátina sobre sua língua.
Poema e ilustração de Solivan
Ponte da amizade
Ponte da amizade
O concreto da ponte flutua
tem algo de voar, de lento voar
algo que me deixa gasoso
ao andar sobre ela.
Porém parece só acontecer comigo,
os outros pedestres estão mais pedra.
Vejo engarrafamento, suor e contrabando,
mas a ponte se mantém tranqüila
com uma docilidade cetácea.
Embala os que mijam, roubam, buzinam e xingam
sobre suas costas.
Afago-a, emocionado com sua bondade.
É das coisas que conheço
a mais próxima da santidade.
De Solivan
O concreto da ponte flutua
tem algo de voar, de lento voar
algo que me deixa gasoso
ao andar sobre ela.
Porém parece só acontecer comigo,
os outros pedestres estão mais pedra.
Vejo engarrafamento, suor e contrabando,
mas a ponte se mantém tranqüila
com uma docilidade cetácea.
Embala os que mijam, roubam, buzinam e xingam
sobre suas costas.
Afago-a, emocionado com sua bondade.
É das coisas que conheço
a mais próxima da santidade.
De Solivan
Poesia alheia:Tininha
Poema escrito pela gata de minha filha, quando cruzou elegantemente sobre meu teclado.
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De Tininha
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De Tininha
sábado, 24 de julho de 2010
Insegurança
Lembro quando estava em um café, após uma palestra discutindo com a Luna, um poeta do que surge, é o poema que a encontra, e eu o poeta do procurar, do caçar o poema, da insistência. Mas tanto seu método mais orgânico quanto o meu rigoroso, de expediente, somos presos na insegurança do lidar diretamente com o criativo, minha procura por poemas não é a garantia de que os encontre, como aconteceu hoje e Luna pode não mais ser surpreendida por um poema ao abrir uma janela, porque toda a criação vem do inesperado,emerge, e sobre isto, o escritor seja ele disciplinado ou displicente,não tem controle. Porem acredito que quanto mais guardamos sensações e conhecimentos, maior a capacidade para encontrar conexões com o improvável e é exatamente o improvável que faz a arte se movimentar,e os museus criarem novas alas.
De Solivan
De Solivan
Poema ao rio Iguaçu
Rio represado
domado
pela inflexível
posição marcial do concreto.
Rio com hora marcada,
espera contido,
espera angustiado
a hora de fluir feliz
por entre
estas vaginas metálicas.
Meu rio
de margens indefinidas,
e às vezes litigiosas.
Iguaçu de pouco peixe
que lança lambaris aos pescadores
como quem joga moedas
ao mendigo da praça.
Rio importunado
por projetos,
urbanizado
pela pouca poesia
das casas de veraneio.
Enquanto pesco
à sombra de um
out door da
Severo Materiais de Construção,
penso
que teu caule passa aqui,
mas tua rosa flor branca
abre-se em Foz do Iguaçu
e lembro do dia
que levou vilas e pontes
inclusive a zona do Chopim-Dois.
Foi-se o sofá das putas
deslizando rio abaixo.
Adeus sofá das putas
sentirei saudades.
De Solivan
domado
pela inflexível
posição marcial do concreto.
Rio com hora marcada,
espera contido,
espera angustiado
a hora de fluir feliz
por entre
estas vaginas metálicas.
Meu rio
de margens indefinidas,
e às vezes litigiosas.
Iguaçu de pouco peixe
que lança lambaris aos pescadores
como quem joga moedas
ao mendigo da praça.
Rio importunado
por projetos,
urbanizado
pela pouca poesia
das casas de veraneio.
Enquanto pesco
à sombra de um
out door da
Severo Materiais de Construção,
penso
que teu caule passa aqui,
mas tua rosa flor branca
abre-se em Foz do Iguaçu
e lembro do dia
que levou vilas e pontes
inclusive a zona do Chopim-Dois.
Foi-se o sofá das putas
deslizando rio abaixo.
Adeus sofá das putas
sentirei saudades.
De Solivan
Música
É uma fotossíntese,
qualquer cantor
aspira ar e expira notas musicais.
Já o blues man emite sons feitos de barro.
Vi um cego tocar acordeom,
a música o sacudia como uma ventania ou maré.
E por falar em cego
a música materializa os sentimentos,
reconhecemos um sentimento dentro do peito
como um cego apalpa e reconhece um objeto.
Músicos precisam do silêncio,
do silêncio branco como linho
para esculpir sentimentos.
Pergunto-me:
quem nasceu antes a música ou o rouxinol?
Acho que a música pousou num galho e compôs
um rouxinol.
E a beleza
a beleza nada mais é que música
de objetos não sonoros.
De Solivan
qualquer cantor
aspira ar e expira notas musicais.
Já o blues man emite sons feitos de barro.
Vi um cego tocar acordeom,
a música o sacudia como uma ventania ou maré.
E por falar em cego
a música materializa os sentimentos,
reconhecemos um sentimento dentro do peito
como um cego apalpa e reconhece um objeto.
Músicos precisam do silêncio,
do silêncio branco como linho
para esculpir sentimentos.
Pergunto-me:
quem nasceu antes a música ou o rouxinol?
Acho que a música pousou num galho e compôs
um rouxinol.
E a beleza
a beleza nada mais é que música
de objetos não sonoros.
De Solivan
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Exegese de Eva
Eva, Eva
o Éden gritou de dor
quando você
Imolou o que mais amava,
Eva, Eva
Agora em sua boca ressaibos de carne crua.
Eva, Eva
seu cabelo foi a serpente
Eva Eva
sangra tua lágrima azul.
Eva,Eva
tua face; uma escultura bela
Foi remodelada pela angustia
Eva,Eva.
Trançados de espinhos envolvem o útero
Eva,Eva
tua pele é um sudário tecido de angustias e dor
Eva, Eva.
Com o coração mordido,
como uma gazela por um leão,
Eva, pobre Eva
tenta devolver
a maça a maça ferida.
Ilustração e poema de Solivan
Fragmentos do diário de Ariel
Sou um homem com ilustrações na alma
ando com ilustrações e passos vagarosos
um banco ao lado de uma árvore
convida-me a olhar a imensidão
sinto-me enorme, sou até onde
minha visão alcança.
Olho um pássaro no alto, distante
no céu azul com nuvens brancas
e me pergunto
quem é mais livre neste instante
o pássaro lá no alto
com olhos fixos na terra
ou eu de olhos perdidos e livres no firmamento
e neste momento
em que a retina engole o oceano
o céu e a linha do horizonte,
ouço o mar
e o barulho do mar
lembra-me
o som do interior das conchas.
De Solivan
ando com ilustrações e passos vagarosos
um banco ao lado de uma árvore
convida-me a olhar a imensidão
sinto-me enorme, sou até onde
minha visão alcança.
Olho um pássaro no alto, distante
no céu azul com nuvens brancas
e me pergunto
quem é mais livre neste instante
o pássaro lá no alto
com olhos fixos na terra
ou eu de olhos perdidos e livres no firmamento
e neste momento
em que a retina engole o oceano
o céu e a linha do horizonte,
ouço o mar
e o barulho do mar
lembra-me
o som do interior das conchas.
De Solivan
Mimeógrafo: poesia marginal dos anos 70
Idílica Estundantil-III
Nossa geração teve pouco tempo
começou no fim
mas foi bela nossa procura
ah!moça,como foi bela nossa procura
mesmo com tanta ilusão perdida
quebrada,
mesmo com tanto caco de sonho
onde até hoje
a gente se corta.
De Alex Polari
A(R)MAR(?)
De Marcos silva
que viagem
ficar aqui parada
De Alice Ruiz
quem tem a mão decepada
levante o dedo
De Nicolas Behr
poética do cotidiano:5
Num domingo desses,
correu por entre os barracos,
som dos futebóis e cheiros de maçarão,
uma noticia triste:
(de uma rua escura de Nova York )
O sonho acabou.
De Flávio Checker
Sobre o momento atual e a tática proletária
Panfletamos a noite toda
-o nome mais belo do medo-
e alguma coisa nos fazia
lembrar uma música
somos ainda jovens
e o suco de laranja estava
ótimo
De Maira
Nossa geração teve pouco tempo
começou no fim
mas foi bela nossa procura
ah!moça,como foi bela nossa procura
mesmo com tanta ilusão perdida
quebrada,
mesmo com tanto caco de sonho
onde até hoje
a gente se corta.
De Alex Polari
A(R)MAR(?)
De Marcos silva
que viagem
ficar aqui parada
De Alice Ruiz
quem tem a mão decepada
levante o dedo
De Nicolas Behr
poética do cotidiano:5
Num domingo desses,
correu por entre os barracos,
som dos futebóis e cheiros de maçarão,
uma noticia triste:
(de uma rua escura de Nova York )
O sonho acabou.
De Flávio Checker
Sobre o momento atual e a tática proletária
Panfletamos a noite toda
-o nome mais belo do medo-
e alguma coisa nos fazia
lembrar uma música
somos ainda jovens
e o suco de laranja estava
ótimo
De Maira
sexta-feira, 9 de julho de 2010
grãos de areia
grãos de areia que reclamam do mundo
grãos de areia que discutem sobre o universo
grãos de areia presidentes
grãos de areia escritores
há um grão de areia pintado com um sorriso enigmático
nas paredes de um museu
e outro com a orelha cortada.
temos grãos de areia de esquerda
grãos de areia islâmicos
grãos de areia com problemas cardíacos
grãos de areia rico e grãos
de areia que compram a prestações.
De Solivan
grãos de areia que discutem sobre o universo
grãos de areia presidentes
grãos de areia escritores
há um grão de areia pintado com um sorriso enigmático
nas paredes de um museu
e outro com a orelha cortada.
temos grãos de areia de esquerda
grãos de areia islâmicos
grãos de areia com problemas cardíacos
grãos de areia rico e grãos
de areia que compram a prestações.
De Solivan
Falange
Canções de uma banda de heavy metal que nunca existiu
1)Grito biográfico
Eu que obedecendo aos gritos de uma dama de ferro
parei de escalpelei os meus cabelos,
vesti sudários estampados com serigrafia
e fiz de uma bandeira bucaneira minha jaqueta.
Que com os rastos de uma caneta
tatuei nos braços temporárias cobras e cruzes
E na ultima das cadeiras elétricas da escola
fazia canções e iluminuras hereges nos cadernos,
enquanto outros engoliam equações que ainda coaxavam.
Eu que com minha alcatéia,
bebia espumantes poções amargas
recostado em trelizas brancas.
E nos sabados fazíamos pirâmides humanas nas ruas
ou em celebrações tribais ao lado de um riu
bebianos sangue de cana
e assávamos pedaços de manutes
comprados no super-mercado.
Que entediados alugamos um avião velho, já sem azas
e viajamos, bebendo, brigando e parando nas danceterias.
Ate o paraquai onde comprei chicletes coloridos.
Eu que transformei uma armadura medieval em moto
e galopando este magro vento de metal
atravessei a avenida brincando com uma tempestade
e rasquei uma neblina âmbar tingida pelas luzes das estrelas elétricas.
Que desci pelas escadarias do templo
com uma linda menina de cabelos vermelhos
pira sedosa tratado com xampus e amaciastes.
Eu que numa esquina suspeita de Curitiba
receptei um grifo que ficou no meu ombro como uma rêmora
e o alimentei com pedaços de aço.
E viajei para o sul ouvir venenos,mas o saba foi cancelado
então fui ao cinema ver sons violinos esfaqueando
uma moça no banho,
e me auto-condecorei com bootons
em negras lojas.
Eu que fui preso por acariciar um
peixe ornamental na rua.
Meus dedos ainda tinham cheiro de peixe
quando um soldado do exercito de bobos da corte
me disse “vou te soltar pelo seu pai”
e respondi. “Se for pelo vendedor de combustíveis fosseis
pode soterrar a entrada novamente”.
Então passei a noite com uma ladra vestida de noiva.
e ouvindo os gritos de um assassino tento pesadelos.
“Alice com laços vermelhos saindo do corte,
Alice caindo,Alice se transforma em ofélia no fundo do poço.”
Eu que fui apedrejado pelas lagrimas de minha mãe,
mas evitei sua santificação pelos meus pecados
recusando me a injetar o bico do beija flor no meu braço
para espremer seu corpo ate ele vomitar nectar dentro de mim.
Eu que quebrei suavemente um diamante
que sangrou rubis e fui embora atravessando arvores retorcidas.
Que guardei uma mansão abandonada,
solitário sem nem uma mesa de centro para afagar,um sofá para me dar colo
e fiquei deitado em estado vegetativo,
me alimentado por fotossíntese e café solúvel requentado.
Eu que vendi recipientes feitos de seiva
que serviam para se por um pedaço de atmosfera.
E trabalhei em uma loja de materiais de construção
cheia casulos de maldade, charques e pernis de ódio pendurados,
onde lutei com um Ogro cheio de varejeiras,
ate jorrar rosas vermelhas pela minha boca como uma estatua de fonte.
Eu que atravessei a transamazônica em um navio negreiro,
como não tinha lugar nos rotos e remendados tapetes voadores
estendi meu lençol de faquir no corredor.
E na madrugada masturbei uma lactente no cio.
Que vi do outro lado do riu ing e iang
uma cidade cheia de vida como um antigo cemitério no dia dos mortos,
com urubus sobre as casas tumulares,
e conheci suas lojas
que vendiam cocares e vídeo-games ,bordunas e televisores.
Eu que voltei para casa com saudades
de folhear meus recipientes de musica,
de rever sua decoração e beber os sons pesados num brinde nórdico
e limpar os cantos da boca com o antebraço.
Eu que morei num lobo branco de geada
e fiz aulas de pintura no seu estomago com estantes e bibelôs.
E com meu cinzel amei uma das três graças de Rubens
em uma casa feita com de carne de pinheiros.
Que conheci um amigo que também
era uma ovelha vestindo pele de lobo,
e jogamos ruprestes vídeos- games
ouvindo bocas-crisóis cuspindo lava
e conhecemos um templo Egípcio sombreado por araucárias.
De Solivan
1)Grito biográfico
Eu que obedecendo aos gritos de uma dama de ferro
parei de escalpelei os meus cabelos,
vesti sudários estampados com serigrafia
e fiz de uma bandeira bucaneira minha jaqueta.
Que com os rastos de uma caneta
tatuei nos braços temporárias cobras e cruzes
E na ultima das cadeiras elétricas da escola
fazia canções e iluminuras hereges nos cadernos,
enquanto outros engoliam equações que ainda coaxavam.
Eu que com minha alcatéia,
bebia espumantes poções amargas
recostado em trelizas brancas.
E nos sabados fazíamos pirâmides humanas nas ruas
ou em celebrações tribais ao lado de um riu
bebianos sangue de cana
e assávamos pedaços de manutes
comprados no super-mercado.
Que entediados alugamos um avião velho, já sem azas
e viajamos, bebendo, brigando e parando nas danceterias.
Ate o paraquai onde comprei chicletes coloridos.
Eu que transformei uma armadura medieval em moto
e galopando este magro vento de metal
atravessei a avenida brincando com uma tempestade
e rasquei uma neblina âmbar tingida pelas luzes das estrelas elétricas.
Que desci pelas escadarias do templo
com uma linda menina de cabelos vermelhos
pira sedosa tratado com xampus e amaciastes.
Eu que numa esquina suspeita de Curitiba
receptei um grifo que ficou no meu ombro como uma rêmora
e o alimentei com pedaços de aço.
E viajei para o sul ouvir venenos,mas o saba foi cancelado
então fui ao cinema ver sons violinos esfaqueando
uma moça no banho,
e me auto-condecorei com bootons
em negras lojas.
Eu que fui preso por acariciar um
peixe ornamental na rua.
Meus dedos ainda tinham cheiro de peixe
quando um soldado do exercito de bobos da corte
me disse “vou te soltar pelo seu pai”
e respondi. “Se for pelo vendedor de combustíveis fosseis
pode soterrar a entrada novamente”.
Então passei a noite com uma ladra vestida de noiva.
e ouvindo os gritos de um assassino tento pesadelos.
“Alice com laços vermelhos saindo do corte,
Alice caindo,Alice se transforma em ofélia no fundo do poço.”
Eu que fui apedrejado pelas lagrimas de minha mãe,
mas evitei sua santificação pelos meus pecados
recusando me a injetar o bico do beija flor no meu braço
para espremer seu corpo ate ele vomitar nectar dentro de mim.
Eu que quebrei suavemente um diamante
que sangrou rubis e fui embora atravessando arvores retorcidas.
Que guardei uma mansão abandonada,
solitário sem nem uma mesa de centro para afagar,um sofá para me dar colo
e fiquei deitado em estado vegetativo,
me alimentado por fotossíntese e café solúvel requentado.
Eu que vendi recipientes feitos de seiva
que serviam para se por um pedaço de atmosfera.
E trabalhei em uma loja de materiais de construção
cheia casulos de maldade, charques e pernis de ódio pendurados,
onde lutei com um Ogro cheio de varejeiras,
ate jorrar rosas vermelhas pela minha boca como uma estatua de fonte.
Eu que atravessei a transamazônica em um navio negreiro,
como não tinha lugar nos rotos e remendados tapetes voadores
estendi meu lençol de faquir no corredor.
E na madrugada masturbei uma lactente no cio.
Que vi do outro lado do riu ing e iang
uma cidade cheia de vida como um antigo cemitério no dia dos mortos,
com urubus sobre as casas tumulares,
e conheci suas lojas
que vendiam cocares e vídeo-games ,bordunas e televisores.
Eu que voltei para casa com saudades
de folhear meus recipientes de musica,
de rever sua decoração e beber os sons pesados num brinde nórdico
e limpar os cantos da boca com o antebraço.
Eu que morei num lobo branco de geada
e fiz aulas de pintura no seu estomago com estantes e bibelôs.
E com meu cinzel amei uma das três graças de Rubens
em uma casa feita com de carne de pinheiros.
Que conheci um amigo que também
era uma ovelha vestindo pele de lobo,
e jogamos ruprestes vídeos- games
ouvindo bocas-crisóis cuspindo lava
e conhecemos um templo Egípcio sombreado por araucárias.
De Solivan
Poesia alheia:João Cabral de Melo Neto
Morte e vida Severina(Auto de Natal Pernambucano)
O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI
— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.
De João Cabral de Melo Neto
O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI
— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.
De João Cabral de Melo Neto
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Sobre Quedas e digressões

Sobre Quedas e digressões
Os Polacos ao chegar
fatiaram araucárias
construíram
com este lenho puro imaculado
suas casas.
Católicos martelavam com vigor
porque sabiam que neste lenho puro imaculado
não tinha as mãos de Jesus.
A araucária não tinha o pecado do cedro.
Neste tempo
as ruas de Quedas mudavam
de plumagens ao ano
no verão áspero pó vermelho
no inverno uma nupcial neblina.
Mas dos eslavos e capivaras e pinheirais
da comunidade mítica
desta primeira dentição de madeira
restam apenas
algumas casas apodrecidas.
Hoje as ruas são praticas e cinzas
e prédios matemáticos
feitos de cimento e cálculos.
porem em
suas calçadas de hexágonos sem mel
aparecem índios
vendendo balaios.
sua solidão lembra
que esta cidade quando vista de um alto
ainda parece
uma destas cidades perdidas na mata.
Não gosto do sabor insosso
das linhas retas.
Artificialidades, não gosto de artificialidades.
Gosto de Gaudí
que fez o frio concreto cometer excessos
cometer luxurias.
Já a voluptuosidade de Niemayer
é uma voluptuosidade seca, estilizada.
voluptuosidade tem que ter exuberância.
seus edifícios parecem esterilizados, sem germes.
Não confio em lugares que não tenha germes
lugares santos são cheios de germes
a beleza e sempre cheia de germes.
Porem artificialidade não e desumana
a artificialidade e algo racional
portanto mais humana que a exuberância.
A exuberância esta sim e algo mais animal
mais artística.
Os bares de Quedas
são os nascedouros das lendas
a cachaça com ervas e lascas de sassafrás
e um santo daime, um peiote.
O Orixá Mario de Andrade desce
como espírito santo
a linguagem entra em transe
peixes tornam-se monstruosos
e em quantidade milagrosas
os tiros são mágicos
e matam uma onça mitológica
e o caçador e o cavalo da anta morta
no êxtase, na língua do sonhar.
E alguém imita um polaco
coro de risos.
Das livrarias
gosto da livraria de seu João
heroicamente agarrada ao passado
um carrapato agarrado ao ano de 1967.
Mesmo o jornal do dia
se comprado na livraria do seu João
já sai um jornal cinqüentenário
e muito mais sábio que mesmo jornal
comprado na outra esquina.
Já é um jornal
para ser guardado
uma relíquia
uma peça de antiquário.
Vila dias
E uma favela paranaense
favela branca, de europeus pobres
com um pouco do marrom terra dos caboclos.
Lá e em todo o oeste e sudoeste do Paraná
a cultura gaúcha
encontrou-se com a do caipira.
E quando culturas se encontram
espera-se choque, divisão ou amálgama.
Nas não houve embate
nem o gaúcho e o caboclo mesclaram-se culturalmente
somente desenvolveram uma coexistência única
O paranaense singularmente adotou como sua
duas culturas que continuam distintas e puras
dentro dele
em uma dualidade tão natural
que nem é percebida.
Nos velórios da Vila Dias
o caixão fica dentro das casas
sala aberta como templo.
Reverenciado pela curiosidade
o morto como um santo no oratório
decorado com coroas de alumínio
cuja as flores cheiram a tinta esmaltadas.
Conversas, chimarrão, rezas e choro
fermentam num bolo sonoro
salgado com suor.
Percebe-se em alguns
um certo sentimento de triunfo festivo
os vivos senten-se vitoriosos
perante a morte.
No bar, musica embriagada
e a vizinha assiste à novela
porque na vila dias a morte é cotidiana
e a morte sem os dramas
das mortes dos semideuses da classe media
a morte é comum, domestica
é parte da vida
não causa traumas.
Gosto de artemistificar a morte
Compara-la a quintais abandonados.
Porque vejo
na briga de galo
entre a guaxuma e o picão
renitência do sempre renascer.
Da inútil na insistência de florir
sua flor feia e dissonante
sua flor desperfumada.
Sempre que vejo quintais abandonados
sinto vontade de ser novamente
o menino
que via revoada de rainhas vestidas
Com azas núpciais
em dias de sol e chuva juntos
que enluarava telhados
engrutava porões
para-dificava guarda chuvas
cachoeirizava torneiras
e savanizava quintais abandonados.
De o meu brincar sem nunca individualizar
sem nomear, sem especificar
todas as formigas eram formigas.
Assim nada morre
tudo continua, se um gafanhoto morre
não importava
os gafanhotos não morreram
outro igual nascia e o pedaço era reposto.
Meus soldados também eram renitentes
morriam e renasciam
como gaxumba.
Só a perca era uma espécie de morrer
e o achar ressurreição.
Outros quintais abandonados
Em outros lugares são só quintais abandonados
Quintais oníricos
São os quintais de Quedas
Quintais com guaxuma e picão que reencarnam.
De Solivan
O alimento da vida
A vida,
é o predador da morte.
É a vida que mastiga, engole e digere a morte.
A morte é o passivo, o generoso
alimento da vida.
A relva da qual
a vida se alimenta.
De Solivan
é o predador da morte.
É a vida que mastiga, engole e digere a morte.
A morte é o passivo, o generoso
alimento da vida.
A relva da qual
a vida se alimenta.
De Solivan
Poesia alheia:Carl Sandburg
A GRADE
Agora,a mansão à beira do lago já está
concluída, e os trabalhadores estão
começando a grade.
São barras de ferro com pontas de aço, capazes
de tirar a vida de qualquer um que se
arrisque sobre elas.
Como grade, é uma obra-prima e impedirá a
entrada de todos os famintos e vagabundos
e de todas as crianças vadias à procura de
um lugar para brincar.
Entre as barras e sobre as pontas de aço nada
passará, exceto a Morte, a Chuva e o Dia de
Amanhã.
De Carl Sandburg
Tradução: Carlos Machado
A FENCE
Now the stone house on the lake front is
finished and the workmen are beginning
the fence.
The palings are made of iron bars with steel
points that can stab the life out of any
man who falls on them.
As a fence, it is a masterpiece, and will shut off
the rabble and all vagabonds and hungry
men and all wandering children looking
for a place to play.
Passing through the bars and over the steel
points will go nothing except Death
and the Rain and To-morrow.
De Carl Sandburg
Agora,a mansão à beira do lago já está
concluída, e os trabalhadores estão
começando a grade.
São barras de ferro com pontas de aço, capazes
de tirar a vida de qualquer um que se
arrisque sobre elas.
Como grade, é uma obra-prima e impedirá a
entrada de todos os famintos e vagabundos
e de todas as crianças vadias à procura de
um lugar para brincar.
Entre as barras e sobre as pontas de aço nada
passará, exceto a Morte, a Chuva e o Dia de
Amanhã.
De Carl Sandburg
Tradução: Carlos Machado
A FENCE
Now the stone house on the lake front is
finished and the workmen are beginning
the fence.
The palings are made of iron bars with steel
points that can stab the life out of any
man who falls on them.
As a fence, it is a masterpiece, and will shut off
the rabble and all vagabonds and hungry
men and all wandering children looking
for a place to play.
Passing through the bars and over the steel
points will go nothing except Death
and the Rain and To-morrow.
De Carl Sandburg
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Foto embaçada
Estudos simbólicos sobre o público
A multidão é a mesma,
mas o poeta fala sem amplificação
para um exército de nucas indiferentes,
enquanto o ídolo está de frente para os rostos e aplausos.
Saiba, os pedantes são os alicerces econômicos da cultura.
Cruza o inferno até uma editora,
o impostor com a mesma gravata púrpura dos demônios,
quem pode pagar anjos mercenários com seu cartão de crédito,
o movimento com Sarissas:Um novo inseticidas
com um novo príncipe ativo.
Ou um Virgílio,
mas Virgílios são tão raros como Dantes
Cantores abóiam,
já os escritores tem que dissolver a manada
e fazer que cada vaca encontre um canto e leia seu livro.É uma tarefa mais árdua.
A platéia é aviário de águias recém-nascidas,
ávidas por engolir cobras e lagartos
jogadas por alguns rebeldes.
Já de uma ovelha no palco, só aceita doces.
Como morsas,
nas livrarias e bibliotecas, os livros dos vivos lutam contra os poderosos mortos
pelo feio harém de intelectuais.
Geralmente os jovens livros dos vivos são expulsos. I’ll be back.
Lembra,a inteligência santifica a inteligência,
criar é uma insinuação para o eterno.
De Solivan
mas o poeta fala sem amplificação
para um exército de nucas indiferentes,
enquanto o ídolo está de frente para os rostos e aplausos.
Saiba, os pedantes são os alicerces econômicos da cultura.
Cruza o inferno até uma editora,
o impostor com a mesma gravata púrpura dos demônios,
quem pode pagar anjos mercenários com seu cartão de crédito,
o movimento com Sarissas:Um novo inseticidas
com um novo príncipe ativo.
Ou um Virgílio,
mas Virgílios são tão raros como Dantes
Cantores abóiam,
já os escritores tem que dissolver a manada
e fazer que cada vaca encontre um canto e leia seu livro.É uma tarefa mais árdua.
A platéia é aviário de águias recém-nascidas,
ávidas por engolir cobras e lagartos
jogadas por alguns rebeldes.
Já de uma ovelha no palco, só aceita doces.
Como morsas,
nas livrarias e bibliotecas, os livros dos vivos lutam contra os poderosos mortos
pelo feio harém de intelectuais.
Geralmente os jovens livros dos vivos são expulsos. I’ll be back.
Lembra,a inteligência santifica a inteligência,
criar é uma insinuação para o eterno.
De Solivan
Conversa com a esposa sobre meu dia
Não, senhor Prutok
infelizmente, seu plano de saúde
não lhe dará eternidade.
Pensei cinicamente,
enquanto ouvia
durante nossa partida de xadrez
o senhor Prutok
falar longamente sobre seu plano de saúde,
e das sete maravilhas tecnológicas
feitas para prolongar o sofrimento.
Eu estava voltado para o portão, com meus sapatos
imantados pela rua.
E achei novas ranhuras no visor do relógio.
Gosta de mim o velho, traz pistaches, arguile.
Deus, como é tedioso ser amado por insossos.
Como me irritei,
mas fixei uma agradável máscara da comédia,
quando me perguntou.
- Gostou do vinho?
- Sim, sim algo frutado, de um rubro intenso.
Calei, mas minha alma continuou.
É também marcante a presença
de acidulantes e conservantes
e tem um bem definido odor de aromatizante para
[automóveis.
Só Liszt dava-me certo alívio
engraçado esses pianistas
cumprimentam a platéia, sentam-se
e tiram sons maravilhosos
dedilhando presas de elefante.
Tem um analgésico?
Minha têmpora lateja como um coração.
De Solivan
infelizmente, seu plano de saúde
não lhe dará eternidade.
Pensei cinicamente,
enquanto ouvia
durante nossa partida de xadrez
o senhor Prutok
falar longamente sobre seu plano de saúde,
e das sete maravilhas tecnológicas
feitas para prolongar o sofrimento.
Eu estava voltado para o portão, com meus sapatos
imantados pela rua.
E achei novas ranhuras no visor do relógio.
Gosta de mim o velho, traz pistaches, arguile.
Deus, como é tedioso ser amado por insossos.
Como me irritei,
mas fixei uma agradável máscara da comédia,
quando me perguntou.
- Gostou do vinho?
- Sim, sim algo frutado, de um rubro intenso.
Calei, mas minha alma continuou.
É também marcante a presença
de acidulantes e conservantes
e tem um bem definido odor de aromatizante para
[automóveis.
Só Liszt dava-me certo alívio
engraçado esses pianistas
cumprimentam a platéia, sentam-se
e tiram sons maravilhosos
dedilhando presas de elefante.
Tem um analgésico?
Minha têmpora lateja como um coração.
De Solivan
Poesia alheia:Charles Bukowski
velho limpo
daqui a
uma semana farei
55.
sobre o que
escreverei
quando ele não
levantar mais
pela manhã?
meus críticos
vão adorar
quando minha diversão
passar a ser
tartarugas
e estrelas -do-mar.
chegarão inclusive a
dizer
coisas boas sobre
mim
como se eu tivesse
finalmente
alcançado a
razão.
De Charles Bukowski
Tradução:Pedro Gonzaga
daqui a
uma semana farei
55.
sobre o que
escreverei
quando ele não
levantar mais
pela manhã?
meus críticos
vão adorar
quando minha diversão
passar a ser
tartarugas
e estrelas -do-mar.
chegarão inclusive a
dizer
coisas boas sobre
mim
como se eu tivesse
finalmente
alcançado a
razão.
De Charles Bukowski
Tradução:Pedro Gonzaga
terça-feira, 22 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Pensamentos dispersivos sobre minha reencarnação
Esta manhã quis que
meu rosto fosse
cega pedra de nascente
e sentisse a água fresca
temperada com musgos e folhas,
correr eterna sobre minha face.
E meu olhar distâncias
ou linha do horizonte
para ver o sol
estender sua luz limpa e quente sobre a terra,
como um lençol recém passado sobre
a cama.
Que de meus braços emplumados de folhas
e dedos transformados em galhos de árvores
pingassem tangerinas.
De Solivan
meu rosto fosse
cega pedra de nascente
e sentisse a água fresca
temperada com musgos e folhas,
correr eterna sobre minha face.
E meu olhar distâncias
ou linha do horizonte
para ver o sol
estender sua luz limpa e quente sobre a terra,
como um lençol recém passado sobre
a cama.
Que de meus braços emplumados de folhas
e dedos transformados em galhos de árvores
pingassem tangerinas.
De Solivan
Dandi Vampire
A Baudelaire
Prefiro o gosto tão delicado do amor,
O doce carmim feminino ao velho e azedo.
É rançoso, amargo o sangue de pecador,
Avinagrado e rústico o sabor do medo.
Aguardo a ninfa mulher surgir da criança
E com ouro, tempo e charmosa adulação
Rubro néctar é preparado e descansa
No coração cheio, impregnado de paixão.
Identifico-me com brônzeos colibris,
Bebo alvas nucas e pulsos perfumados,
Destes seres faço meu brasão e Ex libris.
Tenho asco dos doentios notívagos alados.
Com beijo suave,o carmim vivo é degustado,
Sinto o melodioso coração adormecer
E sobre meu ombro cai o rosto reclinado.
É sempre alma, não o sangue saboreado.
Então no colo, levo as para jardins,
Lagos ou brancos e esvoaçantes dóceis.
São pálidas, combinam com rosas carmins.
Como que pousando as deixo em vergeis.
De Solivan
Prefiro o gosto tão delicado do amor,
O doce carmim feminino ao velho e azedo.
É rançoso, amargo o sangue de pecador,
Avinagrado e rústico o sabor do medo.
Aguardo a ninfa mulher surgir da criança
E com ouro, tempo e charmosa adulação
Rubro néctar é preparado e descansa
No coração cheio, impregnado de paixão.
Identifico-me com brônzeos colibris,
Bebo alvas nucas e pulsos perfumados,
Destes seres faço meu brasão e Ex libris.
Tenho asco dos doentios notívagos alados.
Com beijo suave,o carmim vivo é degustado,
Sinto o melodioso coração adormecer
E sobre meu ombro cai o rosto reclinado.
É sempre alma, não o sangue saboreado.
Então no colo, levo as para jardins,
Lagos ou brancos e esvoaçantes dóceis.
São pálidas, combinam com rosas carmins.
Como que pousando as deixo em vergeis.
De Solivan
Poesia alheia:Helena Kolody
No Silêncio luminoso da tarde
as árvores desfolham-se em pardais.
De Helena Kolody
as árvores desfolham-se em pardais.
De Helena Kolody
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Quando planejei um roubar uma livraria
Chuva,
corri para frente da livraria.
A chuva cai
como cortinas de miçangas da platibanda.
Um frescor cola na pele desprotegida
do rosto e braços.
Dá vontade de ficar nu.
Olhos ávidos de desejo
na vitrine da livraria,
livros com fascínio de jóias.
Vontade de assaltar a livraria
andar livre entre as estantes
encher-me de poesia com gula
sem critérios.
Eu sempre tão comedido
entre estas estantes
sedento e tendo que
contentar-me apenas com um ou dois goles.
Pegar o que quisesse
um bárbaro saqueando.
As mãos livres a colher
maduros e suculentos
livros de fotografia
de fauna e flora.
Filosofia, sobre pintores
romances e pornografia.
Pelo fundo, teria que entrar pelo fundo.
Que felicidade
engolir todos,
estrebuchar em cima dos livros,
sentir a segurança da quantidade,
folhear todos com o polegar
e ouvir um barulho reconfortante
parecido com o de maços de dinheiro
e cheirar aquele arzinho de livro novo
novinho, novinho.
Meia hora
meia hora de delírio.
Nuvens já dissolvidas
apanho um último estilhaço de nuvem na palma da mão
e lambo o gosto insosso de céu.
De Solivan
corri para frente da livraria.
A chuva cai
como cortinas de miçangas da platibanda.
Um frescor cola na pele desprotegida
do rosto e braços.
Dá vontade de ficar nu.
Olhos ávidos de desejo
na vitrine da livraria,
livros com fascínio de jóias.
Vontade de assaltar a livraria
andar livre entre as estantes
encher-me de poesia com gula
sem critérios.
Eu sempre tão comedido
entre estas estantes
sedento e tendo que
contentar-me apenas com um ou dois goles.
Pegar o que quisesse
um bárbaro saqueando.
As mãos livres a colher
maduros e suculentos
livros de fotografia
de fauna e flora.
Filosofia, sobre pintores
romances e pornografia.
Pelo fundo, teria que entrar pelo fundo.
Que felicidade
engolir todos,
estrebuchar em cima dos livros,
sentir a segurança da quantidade,
folhear todos com o polegar
e ouvir um barulho reconfortante
parecido com o de maços de dinheiro
e cheirar aquele arzinho de livro novo
novinho, novinho.
Meia hora
meia hora de delírio.
Nuvens já dissolvidas
apanho um último estilhaço de nuvem na palma da mão
e lambo o gosto insosso de céu.
De Solivan
Poesia alheia:Yao Feng
Peixe Salgado
Como um peixe salgado retornaria a vida?
em busca daquela agulha de prata
percorreu todo o mar,prometeu amor,
que só findaria,no caso de as montanhas despencarem
ou o mar secar
e,para o horizonte,saltou da água.
Agora,pendurado sob o sol,
deixa que a brisa o absorva até a última gota de mar.
E o sal que o destino o impõe
salga o tempo para além do mar.
Não conseguiu no entanto fechar os olhos
mesmo depois da morte.
Vendo que a chuva cai do telhado
para os rios,
o peixe amargo sonha
seu salgado regresso ao mar.
De Yao Feng,poeta chinês contemporâneo
Tradução de Yao Feng e Régis Bonvincino
Como um peixe salgado retornaria a vida?
em busca daquela agulha de prata
percorreu todo o mar,prometeu amor,
que só findaria,no caso de as montanhas despencarem
ou o mar secar
e,para o horizonte,saltou da água.
Agora,pendurado sob o sol,
deixa que a brisa o absorva até a última gota de mar.
E o sal que o destino o impõe
salga o tempo para além do mar.
Não conseguiu no entanto fechar os olhos
mesmo depois da morte.
Vendo que a chuva cai do telhado
para os rios,
o peixe amargo sonha
seu salgado regresso ao mar.
De Yao Feng,poeta chinês contemporâneo
Tradução de Yao Feng e Régis Bonvincino
sexta-feira, 4 de junho de 2010
O mais sublime gosto
Quero fazer silibações para que Zeus
me entregue um pedaço de sua majestosas coxa
porque invejo Cronos,
o único
que teve em sua boca
o sabor dos deuses.
Experimentou o mais sublime alimento.
A magnífica carne de Zeus,
o gosto mediterrâneo de Netuno
e o terroso Hates
neste êxtase sentiu em todos
um pouco de seu próprio gosto.
De Solivan
me entregue um pedaço de sua majestosas coxa
porque invejo Cronos,
o único
que teve em sua boca
o sabor dos deuses.
Experimentou o mais sublime alimento.
A magnífica carne de Zeus,
o gosto mediterrâneo de Netuno
e o terroso Hates
neste êxtase sentiu em todos
um pouco de seu próprio gosto.
De Solivan
Você que ladra motins
Você que ladra motins, rosna intentonas
sua ira não me engana
não é um revolucionário,
apenas um contrariado.
Sua revolta é porque quer
suas ovas de esturjão.
Se for aceito
tomara chá de servos as quatro da tarde.
De Solivan
sua ira não me engana
não é um revolucionário,
apenas um contrariado.
Sua revolta é porque quer
suas ovas de esturjão.
Se for aceito
tomara chá de servos as quatro da tarde.
De Solivan
Poesia Alheia:Ievguêni Ievtuchenko
Encontro em Copenhague
Sentados no aeroporto em Copenhague
atacávamos juntos o café.
Ali tudo era belo,
confortável —
Ambiente refinado como quê!
E de súbito
aquele velho surgiu,
japona simples e capuz verde oliva,
pele curtida
por lufadas salinas,
ou melhor,
não surgiu,
exsurgiu.
Caminhava,
singrando por turistas,
como se houvesse largado o leme faz pouco,
feito espuma do mar
a barba híspida
branca
emoldurava-lhe o rosto.
Com sombria decisão de vitória
caminhava,
erguendo uma onda volumosa,
através de antiqualhas
de um moderno postiço,
através do moderno posiçando o antigo.
E abrindo a gola da camisa rústica,
ele, rejeitando o vermute e o pernaud,
pediu ao balcão uma vodca russa
e repeliu a soda com um gesto:
“No...”
Mãos gretadas, com cicatrizes,
curtidas,
sapatos grossos, arrastando solas,
calças incrivelmente encardidas, —
era mais elegante
do que todos em roda!
A terra sob ele como que afundava,
com o peso daquelas passadas.
Um dos nossos sorriu-me:
“Ei!
Veja se não parece Hemingway!”
Caminhava,
expresso em gestos curtos,
andar de pescador, pesado, lento,
todo talhado num rochedo bruto,
como através das balas,
através dos tempos.
Caminhava, encurvado, como na trincheira,
abria caminho entre pessoas e cadeiras...
Parecia-se tanto com Hemingway!
— Depois fiquei sabendo:
era Hemingway.
IEVTUCHENKO, Ievguêni. Encontro em Copenhague. Trad. de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman.
Sentados no aeroporto em Copenhague
atacávamos juntos o café.
Ali tudo era belo,
confortável —
Ambiente refinado como quê!
E de súbito
aquele velho surgiu,
japona simples e capuz verde oliva,
pele curtida
por lufadas salinas,
ou melhor,
não surgiu,
exsurgiu.
Caminhava,
singrando por turistas,
como se houvesse largado o leme faz pouco,
feito espuma do mar
a barba híspida
branca
emoldurava-lhe o rosto.
Com sombria decisão de vitória
caminhava,
erguendo uma onda volumosa,
através de antiqualhas
de um moderno postiço,
através do moderno posiçando o antigo.
E abrindo a gola da camisa rústica,
ele, rejeitando o vermute e o pernaud,
pediu ao balcão uma vodca russa
e repeliu a soda com um gesto:
“No...”
Mãos gretadas, com cicatrizes,
curtidas,
sapatos grossos, arrastando solas,
calças incrivelmente encardidas, —
era mais elegante
do que todos em roda!
A terra sob ele como que afundava,
com o peso daquelas passadas.
Um dos nossos sorriu-me:
“Ei!
Veja se não parece Hemingway!”
Caminhava,
expresso em gestos curtos,
andar de pescador, pesado, lento,
todo talhado num rochedo bruto,
como através das balas,
através dos tempos.
Caminhava, encurvado, como na trincheira,
abria caminho entre pessoas e cadeiras...
Parecia-se tanto com Hemingway!
— Depois fiquei sabendo:
era Hemingway.
IEVTUCHENKO, Ievguêni. Encontro em Copenhague. Trad. de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Agora que te perdi
Estavas ao meu lado
Mas partiu,
E agora que não te tenho
Entrou em mim sua imagem
E de mim não sai, e em mim fica.
Agora que te perdi,
Esta tão dentro, que já é minha carne.
Com sua partida,
Já não sou apenas eu, também sou você,
No meu corpo trago tua alma
E teu rosto toma-me o peito sempre.
A cada alimento, preparo
Conforme sua vontade
E pergunto-me
Se nossa casa
Esta arrumada a teu gosto.
Com carinho dobro as toalhas
Do jeito que queria.
As vezes conforta-me esta sensação
Que não partiu,
Que na verdade mesclamo-nos
Mas minha tristeza repete com insistência
você se foi.
De Solivan
Mas partiu,
E agora que não te tenho
Entrou em mim sua imagem
E de mim não sai, e em mim fica.
Agora que te perdi,
Esta tão dentro, que já é minha carne.
Com sua partida,
Já não sou apenas eu, também sou você,
No meu corpo trago tua alma
E teu rosto toma-me o peito sempre.
A cada alimento, preparo
Conforme sua vontade
E pergunto-me
Se nossa casa
Esta arrumada a teu gosto.
Com carinho dobro as toalhas
Do jeito que queria.
As vezes conforta-me esta sensação
Que não partiu,
Que na verdade mesclamo-nos
Mas minha tristeza repete com insistência
você se foi.
De Solivan
A pintura é surda e a música é cega.
Um trecho deste poema abre o livro"Um brinde a três amigos"
de o Nilton Bobato.
Obrigado amigo
Vazem o olho da humanidade,
perfurem seu tímpano
e o poema continuará intacto.
Pode-se mesmo, quebrar a terceira vértebra
[da humanidade
e o poema continuará intacto.
Que poema não precisa necessariamente dançar.
Já a pintura é surda e a música cega.
O poema não, o poema é sempre saudável.
Pode ser lido como um todo
pelo olhar, pela audição, pelo toque.
Poemas duram mais que as pedras.
A Ilíada sobrou intacta,
enquanto da Grécia antiga, feita de mármore,
sobraram colunas quebradas, templos em ruínas,
estátuas desmembradas.
De Solivan
de o Nilton Bobato.
Obrigado amigo
Vazem o olho da humanidade,
perfurem seu tímpano
e o poema continuará intacto.
Pode-se mesmo, quebrar a terceira vértebra
[da humanidade
e o poema continuará intacto.
Que poema não precisa necessariamente dançar.
Já a pintura é surda e a música cega.
O poema não, o poema é sempre saudável.
Pode ser lido como um todo
pelo olhar, pela audição, pelo toque.
Poemas duram mais que as pedras.
A Ilíada sobrou intacta,
enquanto da Grécia antiga, feita de mármore,
sobraram colunas quebradas, templos em ruínas,
estátuas desmembradas.
De Solivan
Poesia Alheia: Poema de Bertolt Brechet
Dificuldade de governar
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?
De Bertold Brecht 1913-1956
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?
De Bertold Brecht 1913-1956
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Lua de mel
Vamos amor
Para um recife de corais
Respirar mar.
Onde só nos é permitido
Falar luxurias ou carinhos,
E toda a palavra áspera ou espinhosa
Machuca nossas delicadas guelras.
Trago comigo ambrósia, maçãs do Édem
E estou ansioso
Para seus seios amamentar meus desejos,
Ler no seu olhar
A partitura dos desejos
E sentir tua
Pele que é fogo sedoso e fresco e orvalhado.
Vem
Meu leopardo e pomba,
Ave- aquática e peixe- voador.
Eu sou apenas beija-flor
Em sua orquídea
Com gosto de néctar e perfume.
Sente
Minhas mãos quentes são estrelas com cinco raios
Em suas costas,
E meu olhar massageia seu corpo
Então danço sobre você
Como vento sobre
As marés de alfazemas
E com meu êxtase
Polinizo seu útero
De Solivan
Para um recife de corais
Respirar mar.
Onde só nos é permitido
Falar luxurias ou carinhos,
E toda a palavra áspera ou espinhosa
Machuca nossas delicadas guelras.
Trago comigo ambrósia, maçãs do Édem
E estou ansioso
Para seus seios amamentar meus desejos,
Ler no seu olhar
A partitura dos desejos
E sentir tua
Pele que é fogo sedoso e fresco e orvalhado.
Vem
Meu leopardo e pomba,
Ave- aquática e peixe- voador.
Eu sou apenas beija-flor
Em sua orquídea
Com gosto de néctar e perfume.
Sente
Minhas mãos quentes são estrelas com cinco raios
Em suas costas,
E meu olhar massageia seu corpo
Então danço sobre você
Como vento sobre
As marés de alfazemas
E com meu êxtase
Polinizo seu útero
De Solivan
1º Dezesseis Marylin Monroe morta(fragmento)
Marylin era uma
esposa frustrada
pediu divórcio,
e tornou-se
uma diva frustrada.
Poor Marylin
a máscara da tragédia
quimicamente
transformada
em comédia.
As substâncias
na imagem de
Marylin aderem
do glamour à
canecas de café.
Retratos de Marylin
deviam vir
musicalizados
por uma gota de chanel 5.
De Solivan
esposa frustrada
pediu divórcio,
e tornou-se
uma diva frustrada.
Poor Marylin
a máscara da tragédia
quimicamente
transformada
em comédia.
As substâncias
na imagem de
Marylin aderem
do glamour à
canecas de café.
Retratos de Marylin
deviam vir
musicalizados
por uma gota de chanel 5.
De Solivan
Pequena oração de agradecimento à maternidade
Divino e sublime
é DEUS
que cria almas
por intermédio do prazer.
De Solivan
é DEUS
que cria almas
por intermédio do prazer.
De Solivan
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Jazz session(Fragmento)
Sentado em uma pedra com as mãos no queixo
penso em pavões cor de rosa,
agulhas para suturar líquidos,
cigarros feitos com água de mar.
De Solivan
penso em pavões cor de rosa,
agulhas para suturar líquidos,
cigarros feitos com água de mar.
De Solivan
Retrato falado de um velho japonês
Seus olhos são baços e pequeninos
delicadamente colocados
sobre a renda das rugas.
Mas seu olhar tem uma imensidão que
lembra o mar.
O ar de oitenta anos de sorrisos
desgastaram seus dentes
como o vento, uma rocha.
De Solivan
delicadamente colocados
sobre a renda das rugas.
Mas seu olhar tem uma imensidão que
lembra o mar.
O ar de oitenta anos de sorrisos
desgastaram seus dentes
como o vento, uma rocha.
De Solivan
O lobisomem e o mel
Espiava da copada da guajuvira
escondia até meu olho que é azul
e parecia com o céu atrás das folhagens.
Dizem, lobisomem gosta de ave
porque tem gosto de carne de anjo,
mas aquele gostava era de mel
passou nambu, nem notou.
O bicho mordia o favo
arfava, como cio, queria sentir o cheiro
que era de remela de flor de maria-mole.
Se lambuzava e gania
olho grande,
achava bonito
o mel farto, grosso
que caia lerdo, cheio de preguiça,
florido de brilho na sua boca.
Comia com abelha e tudo,
apimentava o mel com ferroada.
Quando acabou, lambeu os respingos na terra,
depois as mãos e chupou os pêlos.
Então deitou, doeu, gemeu, doeu, gemeu.
Muito mel arde na barriga,
é comer urtiga.
Revirado em homem, foi, mãos nas tripas.
Desci da guajuvira,
meu olho já não era céu.
De Solivan
escondia até meu olho que é azul
e parecia com o céu atrás das folhagens.
Dizem, lobisomem gosta de ave
porque tem gosto de carne de anjo,
mas aquele gostava era de mel
passou nambu, nem notou.
O bicho mordia o favo
arfava, como cio, queria sentir o cheiro
que era de remela de flor de maria-mole.
Se lambuzava e gania
olho grande,
achava bonito
o mel farto, grosso
que caia lerdo, cheio de preguiça,
florido de brilho na sua boca.
Comia com abelha e tudo,
apimentava o mel com ferroada.
Quando acabou, lambeu os respingos na terra,
depois as mãos e chupou os pêlos.
Então deitou, doeu, gemeu, doeu, gemeu.
Muito mel arde na barriga,
é comer urtiga.
Revirado em homem, foi, mãos nas tripas.
Desci da guajuvira,
meu olho já não era céu.
De Solivan
sábado, 1 de maio de 2010
Olhos boquiabertos
Quero olhar, olhar
com telescópios e microscópios,
que tenho os olhos boquiabertos com o mundo
Ver
o universo
esta negra bonita de mais perto
e o Big-bang que ejaculou mundos, pedras e sóis no seu útero
e pelo menos um foi fecundado.
Observar com carinho o ínfimo
porque toda a vida tem
seu início no minúsculo.
De Solivan
com telescópios e microscópios,
que tenho os olhos boquiabertos com o mundo
Ver
o universo
esta negra bonita de mais perto
e o Big-bang que ejaculou mundos, pedras e sóis no seu útero
e pelo menos um foi fecundado.
Observar com carinho o ínfimo
porque toda a vida tem
seu início no minúsculo.
De Solivan
Sobre a interessante reação das senhoras a um poema
Batista entrou sem ser convidado
no sarau com chás, torradas e alguns maridos.
Terno amassado com cheiro de brechó,
camisa bege encardida.
Recusou o chá, procurou vinho
e como está acostumado a achar espaços
em ônibus lotados,
foi fácil subir ao palco.
Com a voz beirando o grito
iniciou o poema:
-A puta!
Soou como sirene com cárie.
Olhos voltaram-se, como girassóis raivosos
para a palavra, tão vermelha
que manchou de rubro a face das senhoras.
E o constrangimento se manteve
até o arremate de Batista:
-A puta, de Carlos Drummond de Andrade!
Alívio entre as senhoras, sorrisos, e mesmo aplausos.
É Batista, confirma-se a tese
que o maldito está no poeta
e não na poesia.
Tuas doces poesias são consideradas malditas
só porque não lava as mãos antes de fazê-las.
De Solivam
no sarau com chás, torradas e alguns maridos.
Terno amassado com cheiro de brechó,
camisa bege encardida.
Recusou o chá, procurou vinho
e como está acostumado a achar espaços
em ônibus lotados,
foi fácil subir ao palco.
Com a voz beirando o grito
iniciou o poema:
-A puta!
Soou como sirene com cárie.
Olhos voltaram-se, como girassóis raivosos
para a palavra, tão vermelha
que manchou de rubro a face das senhoras.
E o constrangimento se manteve
até o arremate de Batista:
-A puta, de Carlos Drummond de Andrade!
Alívio entre as senhoras, sorrisos, e mesmo aplausos.
É Batista, confirma-se a tese
que o maldito está no poeta
e não na poesia.
Tuas doces poesias são consideradas malditas
só porque não lava as mãos antes de fazê-las.
De Solivam
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