segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sonhos ante a vitrine da livraria




Chuva,
corro para frente da livraria.
A chuva cai
como cortinas de miçangas da platibanda.

Um frescor cola na pele desprotegida
do rosto e braços.
Dá vontade de ficar nu.


Olhos ávidos de desejo
na vitrine da livraria,
livros com fascínio de jóias.
Vontade de assaltar a livraria
andar livre entre as estantes
encher-me de poesia com gula
sem critérios.
Eu sempre tão comedido
entre estas estantes
sedento e tendo que
contentar-me apenas com um ou dois goles.
Pegar o que quisesse
um bárbaro saqueando.
As mãos livres a colher
maduros e suculentos
livros de fotografia
de fauna e flora.
Filosofia, sobre pintores
romances e pornografia.
Pelo fundo, teria que entrar pelo fundo.
Que felicidade
engolir todos,
estrebuchar em cima dos livros,
sentir a segurança da quantidade,
folhear todos com o polegar
e ouvir um barulho reconfortante
parecido com o de maços de dinheiro
e cheirar aquele arzinho de livro novo
novinho, novinho.
Meia hora
meia hora de delírio.

Nuvens já dissolvidas
apanho um último estilhaço de nuvem na palma da mão
e lambo o gosto insosso de céu.

Poema e ilustração Solivan

6 comentários:

  1. É um desejo bem representado aqui. Ainda bem que não sucumbimos a ele. Mas quanta vontade nos dá!!! A fotografia é belíssima,é poesia; também dá vontade de devorá-la, levá-la pra casa, tê-la. Acho que entrarei pelas portas do fundo e roubarei a foto. O que vc acha? Um beijo!

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  2. Solivan, enviei mensagem pra Eliz e te mandei e-mail hoje.
    Essa foto é linda e o desejo muito justo: roubar livros ao invés de bancos.

    apanhar um último estilhaço de nuvem
    na palma da mão
    lamber o gosto insosso de céu...

    Vc anda muito afiado, carregado de imagens grandiosas.

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  3. oi ritinha,pode roubar a foto,bom poderia mandar por e-mail se voce quiser,mas é mais charmoso ser roubado por você.

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  4. oi neuzinha,que azar não nos vimos, quem mandou estar em Sao Paulo em dia de greve.
    Fiquei sem ver se sorriso.

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  5. mari que bom voce achar graça no meu poema.

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