sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Nono sonhando acordado.

Nono

Nono
chegaste tão cheio de mar
cheio de Itália
e neste mar, nesta Itália dentro de ti
foram entrando Santa Catarina
os olhos teus foram engolindo
todo o sul do Brasil
e o sul
foi dando brasilidade
ao rosto teu.
Meu nonito, em ti
os defeitos eram só risíveis defeitos
os palavrões eram ledos em tua boca
flores nascidas do vinho em seu peito
de tua alma latina
teu falar era alegre,
trançado de duas línguas.
Unhas sujas de tanta terra
de tanto plantar com as mãos,
seus filhos plantam com aço
e dão mãos de aço aos filhos.
Nonito, saudades de tua mão de carne
fruto áspero e rude
de onde retirava carinhos
tal como fazem os homens
com o algodoeiro.

Ilustração e poema
de Solivan

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Motivos orientais





1
Preocupou-me um problema insolúvel
até o dia que ouvi
ao passear no jardim
um ancião
dizer cheio de felicidade à uma libélula:
“Ainda temos todo este verão de vida”.
B
Noite de primavera,
florescem
estrelas no céu.

Poço profundo,
salvo
pelas suas cordas vocais.

Sol traz
ao lago calmo,
constelações de reflexos.

Caos urbano, porém parecia
com tai chi chuan
a informação do chinês.

Com um grito grafitei
um hai-kai
no vento marinho.

O distraído
tem uma águia
dentro do olhar.

Fotografia e poema de Solivan

terça-feira, 14 de setembro de 2010

video

Apenas transcrevo

Apenas transcrevo
todos os poemas que me dita.
Sou teu escriba
minha alma.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vilela: vida e obra(Fragmento)

Crucificaram Vilela.
Crucificaram o poeta cínico
pobre e esnobe
de sorriso lascivo e abusado.
Crucificaram o poeta
pregaram-no em uma cruz
feita de garfo e faca.
Crucificaram o poeta
cheio de escárnio
e devassidão.
O poeta crucificado
pede frugalmente água
dão-lhe fel
suga o fel oferecido.
O derradeiro não
corta seu estômago
sangra uma mistura de
feijão, arroz e comprimidos para dormir.
Vilela inocentemente
nos dá ainda
a beleza de seu último milagre
faz sua coroa de espinhos
de roseiras florescer rosas vermelhas
e fala suas últimas e introspectivas
palavras
- Perdoa-me PAI,
mas eles sabem o que fazem.

Ano 33, dia 5

Vilela é editado no terceiro dia.

Poema e ilustração de Solivan